Imagens feitas por um dos melhores amigos do funkeiro MC Daleste, de cima do palco onde o músico se apresentava quando foi assassinado, em Campinas (SP), mostram com nitidez a plateia do show justamente do ângulo de onde teria partido o disparo que atingiu o cantor no dia 7 de julho. Para o perito Nelson Massini, as fotos, obtidas com exclusividade pelo Fantástico, serão “fundamentais” para identificar o autor do crime.
Renato Avaia era amigo e fã do funkeiro e conta que, na noite da morte de Daleste, fez 18 imagens usando uma câmera dada pelo próprio músico a ele como presente. Uma das imagens mostra o MC segundos antes dele ser atingido. “Ele foi para o meu lado, eu fui mais para trás, tirei a foto. Foi a hora que o cara atirou”, lembra o fotógrafo.
Além desta, as outras 17 fotografias feitas de cima do palco mostram com nitidez e em alta resolução o público. O especialista Nelson Massini explica que pelos pontos de perfuração da bala no palco e a localização do cantor, é possível concluir de que região na plateia partiram os disparos. E, de acordo com ele, pela localização de Avaia no momento dos cliques, as fotos dele certamente capturaram a presença do assassino no local.
"De todo o material que eu examinei, essas fotos são absolutamente fundamentais. Elas retratam e certamente revelam o assassino disperso aí nessa multidão. Pela qualidade e pela abrangência que esse grupo de fotos faz, é possível aproximar [a imagem]. Essas fotos realmente vão dar a grande contribuição para que a gente chegue aos homicidas", conclui.
Os próprios amigos socorreram Daleste após o tiro porque não havia polícia nem ambulância no local. Eles contam que não sabiam para onde levá-lo e, por isso, demoraram quase meia-hora para chegar até o Hospital de Paulínia. Neste período, o músico estava consciente e os colegas contam os últimos diálogos que tiveram com ele, além do desespero de assistir à piora do estado de saúde dele no passar do tempo.
O irmão de Daleste, Rodrigo Pedreira, que também participou do socorro e levou o jovem até a sala de cirurgia, conta que, no percurso, o músico detalhou a sensação de ser atingido por um projétil. “A gente ficou falando: ‘pô nem dói, eu achei que doía tomar tiro’. Ele falou que a voz dele tava ficando distante. Quando chegou no hospital, ele pediu para o motorista ir mais devagar, ficou falando: ‘pô, estou bem, só estou sentindo que está saindo muito sangue’. Fui segurando na mão dele até a sala de cirurgia”, conta Pedreira.
Crime complexo
Desde a abertura do inquérito, a polícia já recebeu pelo menos 100 denúncias feitas por meio de vídeos ou mensagens. Embora o número seja expressivo, o delegado do caso, Rui Pegolo, disse que elas ainda não apontaram para um único suspeito. Com as análises feitas até o momento, ele acredita que o atirador tenha estudado o local do show e feito o disparo em diagonal, a 20 ou 30 metros do palco. Para o investigador, o crime foi premeditado.






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